Solitária, majestosa, plena de si Mesma,
A Deusa, Ela, cujo nome não pode ser dito,
flutuava no abismo da escuridão, antes do início de todas as coisas...
E quando Ela mirou o espelho curvo do espaço negro,
Ela viu com a sua luz o seu reflexo radiante e apaixonou-se por ele...
Ela induziu-o a se expandir devido ao seu poder e fez amor consigo mesma,
e chamou Ela de “Miria, a Magnífica”...
O seu êxtase irrompeu na única canção de tudo que é, foi ou será,
E com a canção surgiu o movimento, ondas que jorravam para fora e
se transformaram em todas as esferas e círculos dos mundos...
A Deusa encheu-se de amor, que crescia, e deu à luz uma chuva de espíritos luminosos
que ocuparam os mundos e tornaram-se todos os seres...
Mas naquele grande movimento, Miria foi levada embora,
e enquanto Ela saia da Deusa, tornava-se mais masculina...
Primeiro, Ela tornou-se o Deus Azul, o bondoso e risonho Deus do amor...
Então se transformou no Verde, coberto de vinhas,
enraizado na terra, o espírito de todas as coisas que crescem...
Por fim, tornou-se o Deus da Força, cujo rosto é o sol vermelho mas,
no entanto, escuro como a morte...
Mas o desejo sempre o devolve à Deusa, de modo que Ele a Ela circula eternamente,
buscando retornar em amor.
Tudo começou em amor;
Tudo busca retornar em amor...
O amor é a lei,
mestre da sabedoria e
o grande revelador dos mistérios.

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